domingo, 7 de julho de 2013
Reflexões sobre o Currículo do Ensino Médio
Encaminhando texto interessante sobre o Currículo do Ensino Médio:
Educadores pedem mudanças no currículo do ensino básico
Conteúdo extenso, carga horária excessiva, falta de experimentação, muita memorização e fórmulas são alvo de críticas
O currículo adotado pelo MEC para todo o ensino básico, sobretudo para o ensino médio, é alvo da desaprovação de especialistas. Excesso de carga horária, falta de experimentação, muita memorização e fórmulas compõem o modelo atual. O diagnóstico é que a grade curricular do ensino médio é muito inchada - em média são 13 disciplinas. O resultado é um indivíduo sem censo crítico, com dificuldades de interpretação e incapaz de tirar suas próprias conclusões. Esse quadro afeta diretamente a graduação de nível superior e vôos mais altos como cursos de doutorado e mestrado fora do país. Os sinais já começam a aparecer com exemplos de uma fraca atuação de brasileiros em provas internacionais.
Na visão do professor Isaac Roitman, coordenador do Núcleo do Futuro (n-Futuros/CEAM/UnB) da Universidade de Brasília, a prioridade não é o conhecimento, mas como buscar e usar o conhecimento. "Aprecio um pensamento de Paulo Freire que diz: "Ninguém ignora tudo. Ninguém sabe tudo. Todos nós sabemos alguma coisa. Todos nós ignoramos alguma coisa. Por isso aprendemos sempre. "O processo de aprendizagem não pode ser confundido com memorização. Mais importante que memorizar é exercitar o pensamento, a crítica e a criatividade. A "camisa de força" como é considerado o currículo escolar precisa ser destruída e incinerada", afirma.
Ainda de acordo com o professor Roitman, a educação formal deve preparar os estudantes a mobilizarem os seus recursos cognitivos para resolverem novos problemas ou novas situações. "O principal objetivo do aprender é possibilitar o melhor entendimento da vida em diferentes dimensões: conviver com a natureza de forma sustentável, conviver de forma ética com todos os seres humanos respeitando a diversidade cultural, consolidar conceitos e procedimentos de igualdade e solidariedade, preparar-se para uma atividade profissional exercida com responsabilidade social e na qual tenha satisfação pessoal", definiu.
Já para o professor Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, a "camisa de força" curricular do MEC atende pelo nome de "Objetos de Aprendizagem" da matriz do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). De acordo com ele, a política gestada e posta em prática em 1997-8, de unificação curricular por meio da pressão de exames, teve pleno êxito apenas nos últimos anos. "Hoje 7,1 milhões de jovens devem estudar uma lista extensa de conteúdos conceituais para disputar as pouco mais de 130.000 vagas oferecidas no sistema federal de ensino. Os 7 milhões de jovens que não tiverem sucesso se perguntarão qual a razão de terem estudado "Neoplasias e a influência de fatores ambientais", por exemplo, conforme consta no edital do Enem 2013. Vejo aí um contingente nada desprezível sendo chamado às ruas", analisa.
Ele avalia que o currículo atual não prepara pessoas capazes de tomar as próprias decisões. "Evidentemente que ao estudar "neoplasias e a influência de fatores ambientais" no ensino médio não se estará preparando os jovens para nenhuma decisão, uma vez que não faz sentido se dedicar a um assunto tão específico, sem uma base conceitual anterior", exemplifica o professor.
Bizzo, que é coordenador científico do Núcleo de Pesquisa em Educação, Divulgação e Epistemologia da Evolução (EDEVO-Darwin), da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, afirma que a educação, dita formal, precisa buscar contextos próximos dos estudantes, tomando o ensino médio como base para a preparação para a vida, tendo o trabalho como princípio educativo. "Isso não significa que a educação deva ser obrigatoriamente profissionalizante", pondera.
O professor Roitman pede mudanças, pois avalia a escola como chata e desvinculada da vida real. "É imposto ao aluno uma avalanche de informações que Darcy Ribeiro costumava dizer que era o conhecimento inútil. A aula expositiva deve ser abolida e ser substituída por atividades em que os estudantes sejam protagonistas e constantemente desafiados a criticar, a criar e a pensar", propõe. Em nota, a assessoria do MEC limitou-se a dizer que o ministério é "contra a inclusão de novas disciplinas na educação básica".
Mudanças a caminho
No dia 19 de junho, o MEC anunciou que trabalha na elaboração de uma base nacional comum para o conteúdo ensinado nas escolas brasileiras. O anúncio foi feito pelo secretário de Educação Básica, do Ministério da Educação, Romeu Caputo, que participou de audiência pública na Câmara dos Deputados.
Diante da possibilidade de o país adotar um currículo nacional, vale lembrar que o Plano Nacional de Educação (PNE, PL 8035/10) - aprovado na Câmara no ano passado e em discussão atualmente no Senado - tem como estratégia o estabelecimento de direitos e objetivos de aprendizagem para a educação básica, que inclui os ensinos fundamental e médio. Além disso, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB, Lei 9.394/96) também estabelece que o governo federal, em conjunto com o Conselho Nacional de Educação (CNE), defina uma base nacional curricular.
Para Nelio Bizzo, da Faculdade de Educação da USP, essa Base Nacional Comum já está definida na própria Constituição Federal de 1988 e nunca foi realmente implementada. "Deve-se atentar para conteúdos realmente básicos, definindo-se afinal o que deve ser visto em cada ano, uma vez que os sistemas de avaliação não podem monitorar a progressão da avaliação sem a referência dos conteúdos. As avaliações seriadas de alunos do ensino médio, promovidas por diversas universidades, devem igualmente se ajustar a uma Base Nacional Comum. Isso não impede que cada escola decida sobre o restante de seu currículo e exercite sua autonomia", alerta o professor.
(Edna Ferreira / Jornal da Ciência)
Investimentos Reduzidos....
Pessoal,
E por falar em investimentos na Educação, nem deu tempo de comemorarmos os investimentos do Pré-Sal... :(
Compartilhando:
POSICIONAMENTO PÚBLICO
DINHEIRO DO PETRÓLEO PARA A EDUCAÇÃO PÚBLICA:
O BRASIL ESPERA CORAGEM E DISCERNIMENTO DA CÂMARA DOS DEPUTADOS
Brasil, 5 de julho de 2013.
Em votação aligeirada e simbólica, o Senado Federal aprovou o substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara 41/2013, que destina receitas com royalties e participações especiais para educação pública e saúde.
Foi extraída do texto a vinculação de metade das receitas com excedente em óleo do Fundo Social Pré-Sal ao cumprimento das metas do PNE (Plano Nacional de Educação). Além disso, Estados e Municípios ficaram desobrigados de aplicar em áreas sociais um volumoso montante de recursos oriundos de poços com declaração de comercialidade a partir de 3/12/2012. As receitas advindas com a exploração das áreas de unitização, óleo pertencente à União derivado de vasos comunicantes entre dois reservatórios, também não serão vinculadas à educação pública e saúde.
Como resultado, em dez anos, segundo projeções atualizadas em Nota Técnica da Consultoria Legislativa da área de “Recursos Minerais, Hídricos e Energéticos” da Câmara dos Deputados, o prejuízo acumulado decorrente da votação do Senado Federal é de R$ 170,90 bilhões para a educação pública e a saúde. Ou seja, se o texto aprovado na Câmara dos Deputados destinava R$ 279,08 bilhões para as duas áreas, em um decênio, o texto do Senado Federal destina apenas R$ 108,18 bilhões. Já o projeto original, enviado pela Presidenta Dilma Rousseff para o Congresso Nacional, destinaria, se muito, R$ 25,88 bilhões no acumulado de dez anos.
Portanto, se o texto da Câmara dos Deputados trazia um enorme avanço para o cumprimento das metas do PNE (Plano Nacional de Educação), ainda que não as viabilizasse por completo, o projeto do Senado Federal é demasiadamente tímido.
Tratando-se especificamente da educação pública, na somatória de um período de 10 anos, dos R$ 209,31 bilhões conquistados na Câmara dos Deputados, o texto do Senado Federal reduziu os recursos para R$ 97,48 bilhões. Isso representa um recuo de 53,43%. No caso da saúde a queda é ainda maior: de R$ 69,77 bilhões para R$ 10,70 bilhões.
Apesar das graves das perdas ocorridas no Senado Federal, quando comparadas com as estimativas de receitas do projeto original da presidenta Dilma Rousseff, algumas autoridades públicas justificam que a sociedade civil, no mínimo, já conquistou R$ 82,30 bilhões no acumulado de 10 anos. Além disso, reforçam que a participação social foi capaz de delimitar que os novos recursos sejam aplicados em educação pública, em especial, no pagamento de melhores salários aos professores. Ambos elementos essenciais, mas ausentes no texto do Palácio do Planalto.
Temos tanta ciência de nossas conquistas quanto esperamos compromisso público por parte do Parlamento. Diante das gritantes necessidades sociais do país, a rede da Campanha Nacional pelo Direito à Educação solicita aos deputados e deputadas que mantenham seu texto, mais sensível às demandas populares do que aquele aprovado no Senado Federal.
Comitê Diretivo da Campanha Nacional pelo Direito à Educação:
Ação Educativa, ActionAid Brasil, CCLF (Centro de Cultura Luiz Freire),Cedeca-CE (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente do Ceará), CNTE(Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança e do Adolescente, Mieib (Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil), MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Uncme (União Nacional dos Conselhos Municipais de Educação) eUndime (União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação).
quinta-feira, 4 de julho de 2013
10 things to know before visiting Brazil
Bom dia, Pibidianos!
Curiosamente encontrei uma matéria fresquinha no site do CNN falando de 10 coisas sobre o Brasil que o turista deve saber antes de nos visitar. Achei interessante pois ele falam que no Brasil a educação não é prioridade, além de citar que poucos brasileiros dominam a língua inglesa, entre outras coisas.
Vale a pena ler.
10 things to know before visiting Brazil
By Joe Robinson, for CNN July 4, 2013
Segue o link: http://edition.cnn.com/2013/07/04/travel/brazil-10-things/index.html?hpt=hp_c4
Curiosamente encontrei uma matéria fresquinha no site do CNN falando de 10 coisas sobre o Brasil que o turista deve saber antes de nos visitar. Achei interessante pois ele falam que no Brasil a educação não é prioridade, além de citar que poucos brasileiros dominam a língua inglesa, entre outras coisas.
Vale a pena ler.
10 things to know before visiting Brazil
By Joe Robinson, for CNN July 4, 2013
Segue o link: http://edition.cnn.com/2013/07/04/travel/brazil-10-things/index.html?hpt=hp_c4
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